Aqui são tecidos artigos, mensagens, poemas... Ideias de nossos educadores da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro.
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Meu Ensaio

Não tenho cidade

Não tenho casa
Sou do mundo
Das estreitas avenidas
Já cheguei  ao fundo
Tenho invisíveis feridas.
Estou nas ruelas
E nos becos (sem saida)
Já fui das favelas
Me chamaram de "querida".
Não tenho casaco
Nem tampouco cobertor
Às vezes me sinto fraco
Tenho um santo protetor.
Sou o mais que perfeito
Mas também o futuro
Nunca amei num leito
Não suporto dedo-duro.
Tenho palavras no olhar
E na pele arrepios
Estou sempre a (di) vagar:
Por que eles foram tão frios?

(Bernardete Ribeiro - 31/03/2011) 

Pela Metade

Tão triste é esta dor

Que lentamente me consome
A saudade nem mais existe
É só o amor que dorme.

Voaste nas asas da paixão
Assim me vi meio morta
E o barulho atrás da porta
Ainda dói meu coração.

A minh'alma desesperada
Como o último outono
Não senti a tua falta
Mas sim teu abandono.

E se agora tu me queres
Tão louco e sem receio
Eu te afirmo: tu me feres
Estou partida ... estou ao meio.

(Bernardete Ribeiro - 18/04/2010)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Uma Quimera



Ai, como é doce teu sorriso
sobre o lençol de flores
em que tanto nos amamos
e esquecemos nossas dores...
Sim, eu sei,  nada precisas dizer
não estou triste
sequer tenho  prantos
a lua insiste
e ilumina meus cantos
(todos os meus cantos...)
Eu estarei contigo numa estação
quem sabe no inverno ou verão
no outono ou primavera?
...
Não?
...
Oh, deixa-me! Segue!
O que foste, então, senão uma quimera?

(Bernardete Ribeiro - 16/04/2011)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre Desejos

Que hoje o seu amor não me seja sol,
pois aquilo que ora renova, ora revela,
também desorienta, arde, cega e seca.
  
Que hoje o seu amor não me seja sombra,
pois aquilo que me acompanha (mas não
me encontra) também me abandona quando
os olhos marejam e o mundo fica escuro.
 
Que hoje seu amor não me seja bússola,
pois partir sem nenhum rumo talvez
seja o destino oculto de toda viagem.
 
Que seu amor não seja chegada,
mas partida, e que cada despedida
conserve a gravidade e a ternura
da perda original e definitiva.

Filipe Couto (autor do livro "Breves Cantares de Nós Dois")

Poema enviado pela Professora Bernardete Silva.
 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A CARTA

E assim que tu te fores,
num dia em que as ruas
estarão cheias flores,
acenderei uma cigarro
e a fumaça desenhará
nossas luas...

Teu cheiro (ainda) estará em mim,
mas teu corpo, ardente de amor,
descansará numa estação
ou num jardim...

E eu que ainda penso
nos sorvetes que tomamos
e nas promessas que riscamos,
nas mesas dos bares,
olho através das vidraças
os botecos por onde andamos,
em busca de novos mares...

Meus olhos chovem
e me entristecem,
apago as luzes do tempo
e as imagens aparecem...
O que faço com meu sentimento?

Por que deixaste que te levasse o vento?

(Bernardete Ribeiro - 27/03/2011)